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CuriosidadesCerveja: uma invenção feminina

23 de janeiro de 20196

Continuando na linha histórica da cerveja, hoje vamos contar os verdadeiros inventores – ou melhor: invetorAS- da cerveja.

Já sabemos que a cerveja foi descoberta por acaso, há mais de 10 mil anos, em algum lugar da África. Há mais de 4 mil anos, os sumérios da Mesopotâmia adoravam Ninkasi, adeusa da cerveja. Um hino de louvor a ela foi registrado em tábuas de argila do século XVIIIa.C.. O hino louva a deusa, descrevendo todos os seus feitos maravilhosos e, por acaso, todos eles resultam em cerveja. O poema inteiro é uma receita em forma de poesia -canção.

Desde o início a fabricação de cerveja foi atividade feminina e não masculina. Na Babilônia e na Suméria as mulheres cervejeiras tinham grande prestígio e eram consideradas pessoas especiais, com poderes quase divinos. Do antigo Egito até a Europa medieval, as mulheres administravam o lar, assavam o pão e faziam cerveja. Registros do século XIII, de uma pequena cidade inglesa, mostram que somente 8% dos cervejeiros locais eram homens.

As mulheres não só fabricavam como vendiam cerveja e ainda mantinham tavernas. Estas tavernas, geralmente, eram locais rústicos e podiam ser frequentadas por ambos os sexos, e as taverneiras podiam garantir sua independência financeira. Os homens tinham ciúmes desse comércio e, por meio de leis, passaram a restringi-lo. Os homens não gostavam de ver as mulheres operando negócios independentes, ainda mais que elas estavam se dando tão bem. A ideia os incomodavam tanto que cantavam canções de protesto e promulgaram leis que proibiam as cervejeiras de vender seus produtos e limitavam a quantidade de cereal que cada mulher poderia comprar.

O domínio feminino na produção cervejeira diminuiu no final do século XVIII, quando o negócio despertou a presença masculina e grandes empresas surgiram, iniciando-se a produção em grande escala, com a revolução industrial. Acreditava-se que as mulheres não eram capazes de exercer a atividade comercial necessária nem que poderiam se adaptar às novas tecnologias usadas na produção da bebida.

As mulheres só reassumiriam seu importante papel na cultura cervejeira durante a Primeira Guerra, a fim de suprir os soldados nas frentes de batalha e, posteriormente, no final do século XX, como profissionais e consumidoras exigentes.

Atualmente as mulheres vêm retomando seu espaço neste mercado. O destaque vai para a exigência de produtos com boa qualidade e maior percepção de mudanças em odores e aromas. Hoje as mulheres têm muito peso na indústria da bebida: grandes cervejarias empregam mulheres como mestres cervejeiras. Além disso, elas atuam como críticas e degustadoras da bebida, ganhando cada vez mais importância entre seus apreciadores. E como diria Kaiser Wilhelm (o último imperador alemão e Rei da Prússia): “Dê-me uma mulher que goste de cerveja e eu conquistarei o mundo.” Prost!

 

Por Alessandra Pulcineli,
Sommelier Originale

 

Fontes consultadas: OLIVER, G. The Brewmaster Table. Ed. Harper Collins Publishers. Nova York: 2003.
MOURADO, R. Larousse da Cerveja. Ed. Larouszse.

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